Mostrando postagens com marcador aditivos para concreto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador aditivos para concreto. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Respondendo ao Leitor: Qual o tempo de utilização do concreto?



 

O meu bom e recente amigo Gleyber, formando do curso de Engenharia Civil da Escola de Engenharia Kenedy, em Belo Horizonte, me fez uma pergunta muito importante a algumas horas, precedida da seguinte colocação:

 
“...o tempo correto de lançamento de um concreto usinado ( convencional), conforme a NBR 7212 é de 150 min ou 2 H e 30', após a 1ª adição de água...Porém é comum escutar de alguns motoristas de betoneira que é de 3 Horas. “

 
Já deu pra adivinhar a pergunta, não é? Afinal, qual é o tempo de “validade” do concreto? Seguir a norma, nestes casos é muito bom. Mas é ainda mais importante entender exatamente os processos que levam à deterioração da qualidade do concreto, devido à demora na aplicação. O concreto é um material perecível, todos sabemos. Mas entender os motivos é imperativo para uma boa tomada de decisão. Basicamente, dois são os motivos pelos quais ele perde a sua “validade”:

1.    Início de pega;

2.    Perda de plasticidade.

Ensaio de Vicat, para determinar o tempo de pega


O início de pega é o momento em que se iniciam as reações de cristalização do cimento. Neste momento, os grão de cimento que estavam sendo lentamente hidratados começam a passar por uma reação química onde os compostos de Silicatos e Aluminatos de Cálcio se desassociam, se recombinam com a água e se transformam em estruturas cristalinas como os Hidróxidos de Cálcio e as Etringitas. Essas reações são chamadas de “Pega”. Neste momento, a pasta de cimento começa a literalmente endurecer. Se, a partir do momento do início de pega o concreto for misturado, lançado e vibrado, as reações serão prejudicadas e o cimento só atingirá parcialmente seu potencial de resistência. Isso é muito perigoso, levando a redução muito significativa no valor dos ensaios à compressão. É fácil observar os sintomas da pega no concreto, porque esta é uma reação exotérmica, ou seja, gera grande quantidade de calor.

A perda de plasticidade é o fenômeno de progressiva redução do slump com o tempo. Ou seja, o concreto vai se tornando mais e mais consistente, menos fluido, menos trabalhável. No caminhão betoneira, isso pode acontecer devido à evaporação natural da água ou devido à perda de eficiência do aditivo. Praticamente todos os concretos vendidos por concreteiras possuem determinadas dosagens de aditivos “Plastificantes”, capazes de reduzir a necessidade de água do concreto. Estes aditivos fazem com que o slump suba pela ação de processos físico-químicos que têm ação limitada no tempo, ou seja, quando acaba o tempo de ação do aditivo o concreto volta a ter o slump anterior à adição do aditivo.



Neste ponto, fica mais fácil entender bem o processo e suas limitações. O tempo de pega, que é característico do tipo e marca do cimento, pode ser facilmente prolongado pela ação de aditivos retardadores de pega, também largamente usados em toda concreteira. O principal problema está na perda de plasticidade. Hora, se o concreto chega na obra com slump 12 cm, por exemplo, e cerca de uma hora e meia depois ele está com slump 5, não há problema algum em continuar usando, se o tempo de início de pega ainda não foi atingido. Mas será que alguém realmente continua lançando com 5 cm? Ou será que se coloca mais água pra recuperar a plasticidade original?

É aí que está o perigo. Quando o efeito do aditivo é substituído por água, obviamente o fator a/c será sensivelmente alterado, comprometendo a resistência. Então o tempo limite de uso do concreto deve ser definido de acordo com todo o conjunto de fatores relevantes:

·         Tempo de pega, segundo o efeito do tipo de aditivo;

·         Tempo de manutenção de plasticidade permitido pelo aditivo. Entende-se por manutenção de plasticidade a obtenção de, pelo menos, o limite inferior do slump;

·         Clima e horário da concretagem. Temperatura, umidade do ar, exposição ao sol, tudo isso corrobora para mudar o tempo de validade do concreto;

·         Critérios de produtividade de equipamento. Algumas vezes torna-se economicamente inviável a permanência do betoneira por longos períodos;

Então, meu caro Gleyber, infelizmente não posso responder à tua excelente pergunta. Ela deverá ser direcionada ao Tecnologista da Concreteira. Só ele conhece o traço, os aditivos, o tempo de pega do cimento. Só ele realiza o experimento de laboratório, mede a perda de plasticidade. Só ele conhece os coeficientes de segurança e os critérios de produtividade de máquina. Se o teu caso for especial, solicite a ele um traço e um processo de concretagem que atenda ao tempo prolongado requerido pela tua obra. Agora, se você não obtiver uma resposta satisfatória, ou se sentir inseguro, siga a norma. É teu direito. Espero ter sido útil a você e demais colegas leitores. Forte abraço!

Continue lendo

sábado, 29 de setembro de 2012

Incluir, retirar, alterar: A magica dos aditivos



Cimento. Areia. Brita. Água. Pronto. Junte-os nas quantidades certas e você terá um excelente concreto, que ficará maleável, depois duro e resistente e... haaam... cinza. Alguns mais cinza outros menos cinza. Alguns mais maleáveis outros menos. Alguns mais resistentes que outros. Mas é só submeter este bom material à exigência, diversificação e o potencial criativo da atual indústria da construção civil e veremos que essas características não são nem de longe suficientes.

E se minha esposa quiser vermelho? E se o engenheiro quiser mais leve? E se eu precisar de mais tempo pra usar? E se for cair ácido em cima? E se não der pra vibrar? E se o cliente quiser usar amanhã? E se pegar fogo? E se...

Aí é que entram os aditivos: compostos químicos e adições naturais ou sintéticas que têm a capacidade de dar ao concreto uma nova propriedade específica, suprimir uma determinada característica que ele tenha ou alterar um comportamento normal do material. Aliados ao controle de processo, à segurança técnica, ao controle de custo e aos serviços associados, a presença dos aditivos é uma das principais vantagens do concreto dosado em central, sobretudo quando a empresa prestadora de serviços de concretagem é comprometida com a inovação tecnológica. Conhecer e dominar o uso de todos os tipos de aditivos disponíveis da à concreteira uma maior versatilidade, a capacidade de oferecer soluções técnicas adequadas, velocidade na solução dos desafios e uma maior garantia de qualidade.

Agilia

Entretanto, o que se vê normalmente é um grande desconhecimento das opções disponíveis e até um desinteresse por parte da maioria das empresas que preferem focar nos concretos “commodities”, se limitando a oferecer produtos que são obtidos apenas dentro do espectro dos aditivos mais básicos. Para quem não conhece, segue um breve resumo dos tipos de aditivos mais usados:

RETARDADORES DE PEGA E INIBIDORES DE HIDRATAÇÃO: São agentes capazes de adiar o início das reações de endurecimento do cimento, permitindo o transporte a grandes distâncias, concretagens lentas, controle de resíduos, contingenciamento, e até produzir efeitos superficiais interessantes;

PLASTIFICANTES E SUPERPLASTIFICANTES OU AGENTES REDUTORES DE ÁGUA: Usados quando se necessita elevar a resistência do concreto mediante a redução do fator a/c, reduzir a dosagem de cimento necessária, ou simplesmente obter concretos bastante fluidos uma vez que atuam diretamente na plasticidade. Também podem modificar a reologia do concreto de forma a facilitar a obtenção de concretos auto adensáveis;

MODIFICADORES DE VISCOSIDADE: Usados para melhorar a retenção de água, a estabilidade, reduzindo a exsudação e segregação e até possibilitando a concretagem submersa. Também facilitam algumas operações de lançamento.

INCORPORADORES DE AR: Permitem o uso de estruturas submetidas a temperaturas de congelamento da água, reduzem a densidade para produção de concretos leves e auxiliam em bombeamentos de grandes distâncias ou sinuosos. Também atua na obtenção de estabilidade, retenção de água e trabalhabilidade;

ACELERADORES DE RESISTÊNCIAS INICIAIS: Permitem a redução do tempo de atingimento de determinada resistência, facilitando a desforma precoce em climas mais frios ou com uso de cimento mais lentos. Há também os ACELERADORES DE PEGA, normalmente usados em projeção de concreto, que fazem com que a pega do cimento (e consequente endurecimento) se dê em tempo muito reduzido;

AGENTES CRISTALIZANTES: Reduzem drasticamente os vazios intersticiais da microestrutura do concreto, reduzindo a permeabilidade à água. Também conferem resistência contra substancias e ambientes de PH ácido;

POZOLANAS E ADIÇÕES MINERAIS:             Aumentam a resistência, reduzem a porosidade, conferem resistência a sulfatos e reduzem a dosagem de cimento;

 

FIBRAS SINTÉTICAS E METÁLICAS: Reduzem a fissuração por retração plástica ou hidráulica, melhoram a tenacidade, permitem maior afastamento de juntas em pisos e pavimentos, reduzem ou eliminam armadura de pele, atuam como coadjuvante na substituição da armadura positiva por concreto de elevada resistência à tração e pode combater o efeito “spalling” (lascamento) durante incêndios;

PIGMENTOS: Alteram a cor e permitem a realização de diversos efeitos visuais, usados em técnicas de modelamento e em associação a matérias primas com diferencial arquitetônico;

EXPANSORES: Compensam a retração natural do concreto para que ocorra o total preenchimento de nichos, encunhamentos e inserções.

Ainda existem, fora desta lista, os polímeros de diversas bases químicas, os endurecedores de superfície, os aditivos multifuncionais, as resinas, os fillers, os agentes de cura interna e muitas outras “alquimias” capazes dos mais variados efeitos e resultados. Em determinadas situações os aditivos podem ser desenvolvidos de forma inteiramente customizada, para atender a um empreendimento específico, desenvolver um produto inovador ou melhorar o desempenho dos produtos já existentes. Tudo depende da sinergia entre a concreteira e a empresa fornecedora de aditivos, que normalmente conta com tecnologistas à disposição se seus clientes para dar suporte no trabalho de desenvolvimento.

Artevia

Quando novas opções de aditivos surgem, a capacidade de inovação da concreteira melhora. E isso faz aumentar a expectativa e o grau de exigência das construtoras que forçam as concreteiras a buscar mais inovação pressionando a indústria de aditivo por novas opções. É um ciclo virtuoso que resulta em produtos cada vez melhores e mais potentes e estruturas cada vez mais arrojadas, belas, eficientes e sustentáveis. Se continuarmos assim, em breve ninguém mais vai se interessar pelas receitas simples, limitadas e... cinzas.

 
Continue lendo
 

Concreto: Propriedades, descobertas e casos interessantes Copyright © 2011 | Template design by O Pregador | Powered by Blogger Templates